Lukács e a Crítica da Filosofia Burguesa é uma obra rara de José Paulo Netto publicada no exílio em Portugal. Este livro foi originalmente redigido em princípios de 1976, ainda no Brasil, quando o autor preparava uma coletânea de textos que deveria intitular-se Introdução a Lukács. Circunstâncias várias e realmente constrangedoras obrigaram ao (provisório) abandono deste projeto.
No conjunto inicialmente planejado, Lukács e a Crítica da Filosofia Burguesa tinha por objetivo, valendo-se prioritariamente de citações do pensador húngaro, explicitar o posicionamento do que se considera o quarto clássico do marxismo frente à produção filosófica burguesa mais significativa dos séculos XIX e XX — posicionamento referido à obra madura de Lukács. Balizava aquele objetivo uma preocupação quase didática: pretendia-se que a exposição fosse acessível a uma audiência interessada, mas desprovida de informações especializadas sobre a temática. Daí o tom necessariamente declarativo do ensaio, onde, todavia, se procurou não sacrificar o rigor documental no altar da simplicidade.
Além do Excurso sobre a Ontologia do Ser Social, escrito em janeiro de 1977, e algumas alterações formais, Lukács e a Crítica da Filosofia Burguesa sai à luz sem qualquer modificação considerável, conservando as suas limitadas pretensões, apenas acrescido de uma cronologia que situa historicamente o filósofo húngaro.
Mesmo insistindo no âmbito dessas pretensões diminutas, o autor confia em que o texto possa ser útil a todos os leitores. |