O Judô enquanto uma prática corporal, por suas múltiplas relações com a sociedade, deve estar inserido na escola, ainda que de forma precária e parcial. Esse conteúdo permite que os alunos compreendam alguns dos motivos da criação das lutas que, em sua origem, tinham como objetivo matar outro ser social. O Judô, hoje, possibilita vislumbrar como o desenvolvimento tecnológico fez com que as lutas ocupem outra posição na sociedade.
O Judô é uma temática clássica da Cultura Corporal. Entretanto, para incluir e legitimar esse conteúdo nas escolas brasileiras, a melhor forma é adotar uma perspectiva que não priorize somente o saber fazer, mas sim uma pedagogia lastreada na ciência histórica, na qual teoria e prática são encaminhadas em harmonia. Tal pedagogia tem por função compreender o desenvolvimento histórico da sociedade e apontar caminhos para a construção de um novo tipo de sociabilidade que não zele pela produção de bens materiais e intelectuais, explorando homem pelo homem.
A legitimação desse conteúdo no âmbito escolar é importante devido ao fato de o Judô possibilitar a leitura da realidade complexa da sociedade e um conhecimento que permite uma formação mais humana dos alunos. Nesse sentido, para compreendermos o processo pedagógico de ensino vivenciado pelos alunos e pesquisador, o qual possuía uma perspectiva de promover uma formação mais humana e permitir que os educandos entendessem a complexa realidade social em que vivem, buscamos analisar quais as problemáticas das apropriações e objetivações do conteúdo Judô nas aulas de Educação Física Escolar.
A pedagogia adotada nas aulas ministradas foi a Pedagogia Histórico-Crítica em Educação e a abordagem Crítico-Superadora em Educação Física, pois ambas defendem uma proposta de ensino em que os alunos não se limitem apenas no saber fazer e zelam pela dimensão histórica dos conhecimentos humanos. Dessa forma, a visão de totalidade não fragmentada da realidade é levada aos estudantes do modo mais consistente possível. Para isso, apresentamos aspectos fundamentais desse conteúdo, entendendo que estes propiciam um passo importante para legitimá-lo na escola.
Para responder ao problema da pesquisa, discorremos no marco teórico, acerca de uma concepção de Judô e delineamos um norteamento de seus possíveis fundamentos que legitimam essa temática na prática escolar. Na análise de dados, evidenciamos o embate do conceito de luta no senso comum em contrapartida ao conceito sistematizado de luta. Procuramos também realizar uma análise dos jogos empregados para mostrar o desenvolvimento histórico dessa prática corporal.
Nas considerações finais, apresentamos, sucintamente, a interação da teoria com a prática no processo de ensino e aprendizagem do Judô. Ficou bastante evidente o crescimento dos educandos relativo à sua prática social inicial e final. Sugerimos, ainda, os elementos que o Judô deve desenvolver em sala de aula, para que o estudante compreenda as diferenças essenciais entre as práticas corporais e como elas se legitimam na sociedade capitalista. |