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Educação física, ciência e hegemonia

Como citar este trabalho:
PELEGRINI, Thiago. Educação física, ciência e hegemonia: uma análise das políticas públicas para o ensino superior e para a pós-graduação (1969-1985). 2008. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2008.
> Resumo  > Abstract  
O golpe de Estado civil-militar de 31 de março de 1964 exprimiu mudanças e reorientações para a estrutura institucional brasileira. Significou a recomposição do poder das classes dominantes via reorganização do Estado em torno de um projeto societário conservador. Nesse contexto, a coalizão golpista procurou ajustar as esferas superestruturais a um plano econômico articulado por um modelo de desenvolvimento industrial associado ao capital internacional. Uma das áreas mais atingidas por esse movimento foi a educacional.

O sistema educacional foi, então, impelido a auxiliar por meio da formação de mão-de-obra especializada a aceleração da indústria nacional e a ampliação da aceitação popular ao regime. Estratégias fundamentais a conquista da hegemonia e a conservação do controle do Estado. Como integrante da política educacional a Educação Física mereceu especial atenção e foi reorientada como prática de controle social e desmobilização política.

Essa formatação definiu formas de atuação e modelos de formação alinhados com o ideário da reforma educacional proposta pelo Estado autoritário. Ante o exposto, constituiu-se como escopo dessa dissertação a realização de uma análise conjuntural do processo de construção de concepções educacionais para o ensino superior e de definição de linhas de pesquisa para a pós-graduação na área de Educação Física entre 1969 e 1985.

A fim de alcançar o objetivo proposto, adotou-se uma perspectiva teóricometodológica fundamentada no materialismo histórico e dialético com a intenção de apreender a relação entre o geral e o particular, perpassada pelo exame histórico das fontes documentais. Assim, optou-se pela utilização das categorias, “Estado”, “bloco histórico”, “hegemonia”, “ideologia” e “revolução-restauração” gramscianas e “bloco de poder” e “poder” de Nicos Poulantzas. Não obstante, recorreu-se aos “fundamentos das políticas públicas” sistematizados por Mário Luiz Neves de Azevedo e Afrânio Mendes Catani e a elucidação do fenômeno esportivo proposta por Jean-Marie Brohm.

Constatou-se que concorreram para a delimitação dos caminhos traçados pela Educação Física nacional a tentativa de modernização do ensino, a organização de demandas dos professores e a influência dos centros produtores de conhecimento. Nessa esfera, foram eleitos como pilares centrais a adoção do esporte como foco de investigação e a instrumentalização de práticas consoantes com as pretensões do sistema esportivo nacional.

Por fim, ressalta-se que a direção dada à área concretizou-se pela conjunção do atendimento de interesses dos atores sociais ligados a área e pela realização dos impulsos doutrinários do Estado autoritário.
 

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