O presente texto é um fragmento (parte final do primeiro dos manuscritos) dos chamados Manuscritos econômico-filosóficos (Ökonomisch-philosophische Manuskripte), escritos por Marx entre março e setembro de 1844, em Paris. O "trabalho estranhado" é uma bem elaborada reflexão sobre o lugar do trabalho na composição da socialidade humana, e de como tal composição se reequaciona a partir da transformação do trabalho em elemento subordinado à troca e à propriedade privada. Nesta tradução optamos por chamar de alienação (ou exteriorização) a palavra alemã Entäusserung, e de estranhamento a palavra Entfremdung. Somente a segunda tem o sentido forte e negativo atribuído em geral ao termo alienação, ao passo que exteriorização significa atividade, objetivação, e é ineliminável do contexto histórico do fazer-se homem do homem, o que Marx deixa claro ao indicar o estranhamento como forma específica de exteriorização humana, especialmente sob o domínio do trabalho assalariado sob o capitalismo. A tradução completa desses Manuscritos para o português, ainda inédita no Brasil, está sob nossa responsabilidade, e será publicada pela Boitempo Editorial. Texto extraído do original alemão: MARX, Karl. "Entfremdete Arbeit und Privateigentum", Ökonomisch-philosophische Manuskripte, MEGA, I, 2, Berlim: Dietz Verlag, 1982, p. 363-375. |