Dentre os instrumentos existentes para mensurar a capacidade para trabalho destaca-se o Índice de Capacidade para o Trabalho. Ele foi desenvolvido para mensurar o quão bem está, ou estará, um (a) trabalhador (a) neste momento ou num futuro próximo, e quão bem ele ou ela pode executar seu trabalho, em função das exigências, de seu estado de saúde e capacidades físicas e mentais. O objetivo desta dissertação é avaliar algumas das propriedades psicométricas do Índice de Capacidade para o Trabalho em trabalhadores de enfermagem. Os capítulos iniciais apresentam a revisão bibliográfica sobre estudos abordando qualidades psicométricas do Índice de Capacidade para o Trabalho e conceitos referentes a alguns aspectos da qualidade psicométrica de instrumentos. Também apresenta os objetivos e justificava desse estudo. Os métodos e resultados são apresentados em dois artigos. O primeiro artigo investigou a confiabilidade teste reteste do Índice de Capacidade para o Trabalho em uma amostra composta de 80 enfermeiros através dos coeficientes de correlação intraclasse, estatística Kappa e gráfico de Bland e Altman. No segundo artigo apresenta-se a validade de construto e a confiabilidade do Índice de Capacidade para o Trabalho em uma amostra de 1436 profissionais de enfermagem. Na validade de construto investigou-se a estrutura dimensional por meio da análise fatorial exploratória a partir da matriz de correlação policórica e análise paralela para retenção dos fatores a serem extraídos. Na validade de construto também investigou-se a correlação do Índice de Capacidade para o Trabalho com alguns conceitos teoricamente relevantes na literatura sobre o tema através do cálculo da correlação de Spearman. Para avaliação da confiabilidade, medida através da consistência interna, foi utilizado os estimadores alfa de Cronbach e omega de McDonald. Os resultados evidenciaram confiabilidade teste reteste adequada para o índice; os valores do coeficientes de correlação intraclasse e do Kappa ponderado mostraram concordância substancial (0,79 e 0,69, respectivamente). O gráfico de Bland e Altman mostrou que 95% das diferenças entre a 1° e 2° medidas apresentam-se entre -6 e + 6 pontos, não mostrando um padrão sistemático entre ambas as medidas. O resultado do alfa de Cronbach e do omega de McDonald foi, respectivamente 0,80 e 0,87 indicando confiabilidade satisfatória. E a exclusão de qualquer questão não alterou substancialmente o resultado dos mesmos. Na validade de construto identificou-se estrutura bidimensional explicando 52,8% da variância acumulada para os componentes principais e 42,0% para os eixos principais. As hipóteses teóricas da validade de construto foram confirmadas com correlação direta e significativa do Índice de Capacidade para o Trabalho com os escores de recompensa, controle e autoavaliação do estado de saúde; correlação inversa e significativa com a escala de recuperação após o trabalho, distúrbios psíquicos menores, esforço, excesso de comprometimento e demanda. Concluiu-se que o Índice de Capacidade para o Trabalho, traduzido e adaptado para o português, apresentou propriedades psicométricas adequadas e que o mesmo dá suporte adicional para pesquisas na área de saúde ocupacional. |