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Livro: Brincar, jogar, viver: IX Jogos dos Povos Indígenas - Prefácio

Como citar este trabalho:
PINTO, Leila Mirtes Santos de Magalhães; GRANDO, Beleni Saléte (Org.). Brincar, jogar, viver: IX Jogos dos Povos Indígenas. Cuiabá: Central de Texto, 2009. 260 p.
> Sumário  > Prefácio  > Apresentação  
Apresentar os Jogos dos Povos Indígenas brasileiros como parte de um contexto sociocultural no Século XXI é um desafio complexo. Ao mesmo tempo, é uma honra apresentar estes Jogos como um desdobramento do art. 217 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual o esporte, em suas diferentes manifestações, é direito de todo cidadão e cidadã brasileiros. Direito que gera dever do Estado em fomentar práticas esportivas formais e não-formais, com estruturas relacionadas às especificidades de seus aspectos culturais.

Nesse sentido, o Ministério do Esporte, por meio da Secretaria Nacional de Desenvolvimento de Esporte e de Lazer (SNDEL), vem se empenhando, nos últimos anos, em construir e implementar uma política pública diferenciada de esporte e lazer, não PARA os indígenas, mas COM os mesmos.

O resgate, a valorização e a difusão da cultura indígena são elementos necessários à preservação dos conhecimentos e das manifestações culturais advindas das mais de 220 etnias que vivem nas diferentes regiões do nosso País. São valores, ritos cotidianos que se apresentam no universo cultural das sociedades indígenas e que se manifestam em suas danças, cantos, pinturas corporais e em seus jogos esportivos que valorizam o lúdico, o brincar e a expressão de sentimentos como a alegria, essenciais para a qualidade de vida do ser humano e sua convivência social.

No Encontro propiciado pelos Jogos em novembro do ano de 2007 em Pernambuco, as semelhanças e identidades das diversas etnias chamaram nossa atenção: sua forma de ver e entender o mundo e a natureza (muita vezes tão diferente da maneira de ver dos não-índios), a simplicidade do dia-a-dia, a beleza e o colorido das pinturas, adereços e artesanato, a convivência com os “parentes” que moram longe...

Tudo isso faz com que os Jogos transcendam a sua própria realização enquanto atividade física e esportiva. A importância dos mesmos está para além da demonstração de força, habilidade, velocidade, destreza, cumprimento de regras, mas, sim, na cooperação, no respeito e na alegria dos participantes. Isso contagiou a todos os que tiveram o privilégio de estar acompanhando os jogos seja na condição de organizador, voluntário, pesquisador de Universidades brasileiras, representante de instituições governamentais, imprensa e público, que não se constituiu só de brasileiros, mas também com pessoas de outros países como a  Espanha, Itália, Estados Unidos e outros. Todos tiveram a oportunidade de conhecer e aprender mais sobre os indígenas brasileiros.

Acreditamos que o registro desta experiência histórica neste livro um é marco emblemático, dada a escassez de documentação e produção de conhecimentos sobre os Jogos dos Povos Indígenas, manifestação já tradicional em nosso País. Além disso, é pouco comum a publicação de avaliações das práticas destes jogos com registros na íntegra de “falas” de um grande número de indígenas participantes do evento, já que muitas vezes os registros realizados sobre os indígenas são feitos mais pela voz de indigenistas, políticos, historiadores, antropólogos e outros pesquisadores que falam como seus representantes.

Na presente obra, colocamo-nos abertos a ouvir e dar voz a todos que puderam expressar seus testemunhos e relatar um pouco do processo da construção da IX Edição dos Jogos dos Povos Indígenas. Isso porque a realização dos IX Jogos dos Povos Indígenas é uma das iniciativas de garantia do direito de promoção das manifestações esportivas entre os diferentes povos indígenas brasileiros, valorizando o universo cultural deste grupo social, bem como um passo importante na formulação e implementação de políticas públicas específicas para a garantia do acesso aos direitos sociais pelas populações historicamente excluídas dos mesmos, em nosso País.

Para isso, contamos com os melhores parceiros que poderíamos desejar: os irmãos Marcos e Carlos Terena, bem como o Comitê Intertribal. Estamos convencidos de que a base da política de esporte e lazer indígena, cujo processo estamos construindo, reside na confiança mútua adquirida de forma lenta e segura desde 2007. Precisamos valorizar o tempo e a história, buscando o equilíbrio, sem afetar aquilo que somos, reconhecendo a necessidade de aperfeiçoar e qualificar esta relação. Trabalhando firmemente neste propósito, aproveitamos as infinitas possibilidades de reajustes e aprimoramentos nas ações que fazem parte desta caminhada. Indígenas ou não-indígenas, somos, antes de mais nada, brasileiros. Nossas diferenças são, na verdade, nossa riqueza cultural e jamais inviabilizarão a convivência fraterna, o diálogo e o respeito que temos um pelo outro.

Assim, é com muita alegria que convidamos você leitor e leitora a rever conosco esse momento histórico tão significativo para as nossas políticas públicas brasileiras, cujo sucesso também foi alcançado graças ao trabalho coletivo realizado pelo Governo Federal (Ministério do Esporte, FUNAI/Ministério da Justiça, FUNASA/Ministério da Saúde, SECAD/Ministério da Educação e SID/Ministério da Cultura) junto com o Governo do Estado de Pernambuco e as Prefeituras de Olinda e de Recife.

Uma boa leitura a todos!
Rejane Penna Rodrigues
Secretária Nacional de Desenvolvimento de Esporte e de Lazer
Ministério do Esporte
 

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