O ser humano é dotado de capacidade narrativa, e utiliza-se dela como instrumento de sociabilidade. Guerras, batalhas, colheitas, tudo era relatado através da oralidade e posteriormente através da escrita. Com as modalidades esportivas não seria diferente. Desde os primórdios elas se tornaram foco de interesse da sociedade, e, portanto, ganharam espaço na narrativa popular. Diante do surgimento dos meios de comunicação, modelos narrativos foram desenvolvidos para "narrar" os acontecimentos esportivos. No Brasil, a narrativa esportiva no início do século XX se resumia à notas sobre turfe, críquete, ou remo, mas esta situação mudaria drasticamente com a chegada de um novo esporte: o futebol. A modalidade se inseriu na cultura nacional, e a narrativa futebolística ganhou importância e influência no cenário brasileiro. Diversas estruturas de transmissão foram criadas, como a radiofônica e a televisiva, cada uma utilizando-se dos recursos do veículo para a formatação de um modelo capaz de levar ao torcedor toda a emoção e entusiasmo gerado pelo futebol. Porém a narrativa futebolística vai além da TV e do Rádio, ela está presente nos jornais, na internet, nos jogos eletrônicos e principalmente no imaginário de cada torcedor, que se transmuta em Galvão Bueno a cada lance, seja ele no futebol com os amigos ou a ensinar o sobrinho a jogar futebol de botão. |